Mariana: Por que você se considera um skinhead?
Rodrigo: A cultura skinhead nada mais é do que um grupo de pessoas que gostam da mesma música, mesmas roupas, etc. Assim como as pessoas são skatistas, outros punks, outros hippies...
Me considero skinhead por ser um amante do ska, por ser antiracista, por ter minhas gigs e minha crew
acho que isso é uma base pra qualquer um que se diz skinhead.
Mariana: Por que vocês são confundidos com fascistas?
Rodrigo: A cultura skinhead, que nasceu antiracista e apolítica, acabou sendo vinculada ao fascismo a partir dos anos 80, onde o National Front (partida da extrema direita inglesa) passou a "recrutar" skinheads para seus fins, com isso surgiram bandas fascistas também, sendo a mais famosa o Skrewdriver. E como é mais fácil, e rentável, a mídia mostrar os fascistas aos antiracistas, acabamos ficando com essa fama. Os fascistas usam o mesmo visual também, o que às vezes confunde.
Mariana: Você já participou de alguma briga entre skins e nazis?
Rodrigo: Já, várias [risos]. Isso acontecia com bastante frequência a uns 6 anos, quando os nazis daqui [Curitiba] eram realmente nazis, e não essa piazada de hoje em dia, hoje em dia é bem tranquilo, mas antigamente os nazis eram pessoas mais velhas, realmente acreditavam naquela porcaria toda [risos].
Mariana: Conte-nos uma briga.
Rodrigo: Aconteciam bastante em frente a shows. Teve uma engraçada, na saída de um show no antigo CINE, acho que era num Psycho Carnival, onde corremos atrás dos nazistas na praça ao lado. Um deles saiu na base de chutes na bunda por não ser rápido igual os outros. As outras prefiro não comentar, até mesmo porque alguams pessoas sempre saiam machucadas.
Mariana: Como você conheceu a cultura skin?
Rodrigo: A 10 anos atrás não existia esse acesso fácil à internet e etc, era tudo na base do que amigos mais velhos contavam, através de zines e música, tanto é, que, a diferença da cena skinhead de Curitiba a 10 anos e agora é imensa, seja visualmente na qualidade das bandas e gigs. Hoje a gente tem contato com skinheads do mundo todo, algo bem difícil naquela época. A maioria de nós, veio do punk, assim como eu. Então já existia uma certa relação com a cultura skinhead, visto que a cultura skin dos anos 80 e a punk são muito próximas.
Mariana: E como você conheceu o punk? Quais foram as suas influências?
Rodrigo: O punk eu conhecia através da familia, ouvindo Ramones, Sex Pistols, Ira!, Plebe Rude e afins. Ouvia muito reggae também, como UB40 e Inner Circle, talvez isso tenha ajudado muito com a cultura skin. Depois [risos] já estava preparado! Na adolescência comecei a frequentar os shows de punk, fazer amigos e etc, inclusive no lendário 92° e no Linos Bar, dois pontos mais famosos daqui da cidade.
Mariana: Obrigada pela entrevista Rodrigo.
Rodrigo: De nada! E lembrem-se: cultura skinhead não tem nada haver com nazismo e facismo!
