segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Entrevista com o Skinhead de Curitiba, Rodrigo Collodel




Mariana: Por que você se considera um skinhead?

Rodrigo: A cultura skinhead nada mais é do que um grupo de pessoas que gostam da mesma música, mesmas roupas, etc. Assim como as pessoas são skatistas, outros punks, outros hippies...
Me considero skinhead por ser um amante do ska, por ser antiracista, por ter minhas gigs e minha crew
acho que isso é uma base pra qualquer um que se diz skinhead.

Mariana: Por que vocês são confundidos com fascistas?

Rodrigo: A cultura skinhead, que nasceu antiracista e apolítica, acabou sendo vinculada ao fascismo a partir dos anos 80, onde o National Front (partida da extrema direita inglesa) passou a "recrutar" skinheads para seus fins, com isso surgiram bandas fascistas também, sendo a mais famosa o Skrewdriver. E como é mais fácil, e rentável, a mídia mostrar os fascistas aos antiracistas, acabamos ficando com essa fama. Os fascistas usam o mesmo visual também, o que às vezes confunde.

Mariana: Você já participou de alguma briga entre skins e nazis?


Rodrigo: Já, várias [risos]. Isso acontecia com bastante frequência a uns 6 anos, quando os nazis daqui [Curitiba] eram realmente nazis, e não essa piazada de hoje em dia, hoje em dia é bem tranquilo, mas antigamente os nazis eram pessoas mais velhas, realmente acreditavam naquela porcaria toda [risos].

Mariana: Conte-nos uma briga.

Rodrigo: Aconteciam bastante em frente a shows. Teve uma engraçada, na saída de um show no antigo CINE, acho que era num Psycho Carnival, onde corremos atrás dos nazistas na praça ao lado. Um deles saiu na base de chutes na bunda por não ser rápido igual os outros. As outras prefiro não comentar, até mesmo porque alguams pessoas sempre saiam machucadas.

Mariana: Como você conheceu a cultura skin?

Rodrigo: A 10 anos atrás não existia esse acesso fácil à internet e etc, era tudo na base do que amigos mais velhos contavam, através de zines e música, tanto é, que, a diferença da cena skinhead de Curitiba a 10 anos e agora é imensa, seja visualmente na qualidade das bandas e gigs. Hoje a gente tem contato com skinheads do mundo todo, algo bem difícil naquela época. A maioria de nós, veio do punk, assim como eu. Então já existia uma certa relação com a cultura skinhead, visto que a cultura skin dos anos 80 e a punk são muito próximas.

Mariana: E como você conheceu o punk? Quais foram as suas influências?


Rodrigo: O punk eu conhecia através da familia, ouvindo Ramones, Sex Pistols, Ira!, Plebe Rude e afins. Ouvia muito reggae também, como UB40 e Inner Circle, talvez isso tenha ajudado muito com a cultura skin. Depois [risos] já estava preparado! Na adolescência comecei a frequentar os shows de punk, fazer amigos e etc, inclusive no lendário 92° e no Linos Bar, dois pontos mais famosos daqui da cidade.

Mariana: Obrigada pela entrevista Rodrigo.

Rodrigo: De nada! E lembrem-se: cultura skinhead não tem nada haver com nazismo e facismo!

Skinheads

Skinhead é um movimento que surgiu no final dos anos 60 na Inglaterra. Eles são uma evolução de um movimento chamado “mods”, um grupo que ouvia música negra e jamaicana (soul, r&b Os he ska), que depois foi dividido em dois grupos, os “psicodélicos” e os “hard mods”.
hard mods raspavam a cabeça, usavam suspensórios e botas diariamente, simbolizando sua classe de trabalhadores.
Por volta de 1968 eles eram muitos, e foram apelidados pela mídia de skinheads (cabeça raspada) e eles então, se assumiram por esse nome.
A cultura original dos skinheads, não tinha nada a ver com racismo, pois muitos skinheads eram negros e, os que eram brancos, ouviam apenas  música de origem negra.
Esse período durou até 1970, quando esse movimento quase acabou, com a aparição de novos grupos.
Já o movimento punk, surgiu entre 1974/1975 nos EUA,  com uma mudança radical no jeito de se produzir a música, que na época tinha solos de até 13 minutos e uma distância entre o artista e o público, que  no punk, virou musica simples, rápida e com interação com o público.

Em 1977 com a “explosão” do punk anarquista na Inglaterra ocorreu uma divisão com o punk , como a dos skinheads, surgiu o pos punk e o street punk.
O Street punk, é a melhor forma de definição da união entre punk e skinheads, denominada “Oi!”.
O “Oi!”, por ser um movimento que retratava a realidade vinda dos subúrbios, e  por ser um gênero musical que atraia muitos neonazistas á shows causando brigas entre eles e os punks, foi e é rapidamente mal interpretado pela mídia, associando todos que se denominavam Oi! á fascistas.
O resultado disso tudo é um grande número de pessoas, que acreditam em tudo que a mídia fala, acharem que skinheads e punk é sinônimo de violência e fascismo.